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ENQUANTO ISSO, EM PORTUGAL...
"Agora já não há como negar à Internet o carácter de espaço privilegiado para a divulgação, promoção, prática, experimentação de vozes poéticas diversificadas. Ao nepotismo fechado e reinante na edição de livros, contrapõe-se a democracia dos espaços abertos de difusão; ao comércio encapotado de talento e propriedade, opõem-se as novas tendências como uma saudável, fecunda e revolucionária oficina de escrita. Senti vontade de dizer isto, a propósito da Antologia de Poesia Brasileira do Início do Terceiro Milénio, seleccionada e organizada por Claudio Daniel para a Exodus, por ter encontrado, entre os dezoito poetas que compõem o volume, vários nomes com publicação regular em weblogs ou páginas na Internet: Adriana Zapparoli, Ana Maria Ramiro, Douglas Diegues, Marília Kubota (inédita em livro), Nícollas Ranieri, Thiago Ponce de Moraes, Virna Teixeira. Também inéditos em livro são Andréa Catrópa e Daniel Sampaio de Azevedo, sobrando André Dick, Danilo Bueno, Delmo Montenegro, Diego Vinhas, Donny Correia, Eduardo Jorge, Leonardo Gandolfi, Micheliny Verunschk, Simone Homem de Mello. Um leque onde o mais novo é Nicollas Ranieri (n. 1991) e a mais crescida é Marília Kubota (n. 1964). Esta antologia é uma lufada de ar fresco. Não só por nos mostrar uma poesia brasileira em constante ebulição, como também diversificadíssima nas propostas (algo que, em Portugal, acaba frequentemente reduzido ao seguidismo patético de duas ou três correntes distintas). A Introdução e o Posfácio, da autoria de Claudio Daniel, são dois documentos excepcionais que nos permitem perceber os trilhos da poesia brasileira depois do modernismo, do advento da poesia concreta e das orientações alternativas que foram surgindo da segunda metade do séc. XX até aos dias de hoje. Excelente apêndice à antologia organizada por Jorge Henrique Bastos para a Antígona, neste pequeno livro encontramos 18 poetas novos cultivando linguagens que, sendo também fruto do seu tempo, não deixam de ser questionadoras, confrontadoras, até transgressoras dos actuais paradigmas. Nota-se, na generalidade, uma tendência minimalista, fortemente imagética, por vezes prosaica, frequentemente hermética, mas com uma impressionante vontade de escapar à boçalidade. Poemas como Instalação, de Diego Vinhas, a morbidez nos poemas-sequência de Donny Correia, o tom escatológico de Micheliny Verunschk ou o feminismo irónico de Marília Kubota podem ser excelentes indicadores de uma moderna poesia brasileira que sai aqui excelentemente representada."
Henrique Fialho
http://antologiadoesquecimento-leituras.blogspot.com/2008_05_01_archive.html
Escrito por Claudio Daniel às 12h53
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GALERIA: HIERONYMUS BOSCH (XII)

Escrito por Claudio Daniel às 18h57
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RELENDO FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO (III)
GRAFIA 2
Está no rio o embrião da noite
O rio livre com apenas o princípio evidente de todas as formas
A água íntima dos lábios
Escrito por Claudio Daniel às 18h56
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RECORDANDO O TORDESILHAS

Caros, esta mensagem é apenas para relembrar o evento TORDESILHAS, que eu e Virna Teixeira organizamos, como curadores, em outubro de 2007, que foi o primeiro festival íbero-americano de poesia realizado no Brasil, com critério e rigor na escolha de autores e mesas; foi uma imensa alegria contar com a presença e a participação de poetas de primeiro escalão da poesia internacional como a mexicana Coral Bracho, a argentina Tamara Kamenszain, o espanhol Joan Navarro, os uruguaios Víctor Sosa e Roberto Echavarren, o português Luís Serguilha, os brasileiros Horácio Costa e Wilson Bueno, entre muitos outros, que não poderia citar aqui. Estamos certos que em 2009 acontecerá uma segunda edição do evento, ampliada, e sempre pensando na qualidade e inventidade da poesia, que nada tem a ver com mídia e marketing, e sim com linguagem e criatividade estética. Essa é a nossa forma de resistência à banalização e à mediocridade da globalização, onde o que conta é a busca da "celebridade" e do sucesso fácil, e não o trabalho artístico consistente. Seguiremos, como Arnaut Daniel, "amassando o ar, caçando lebre com boi e nadando contra a maré, em luta eterna". Para quem desejar relembrar o evento, recomendo o álbum de fotos e as matérias publicadas na revista ZUNÁI, na página http://www.revistazunai.com.br/materias_especiais/todos.htm. ,
Besos,
Claudio Daniel
Escrito por Claudio Daniel às 10h48
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GALERIA: HIERONYMUS BOSCH (XI)

Escrito por Claudio Daniel às 22h30
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RELENDO FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO (II)
TEMA 4
A circunferência
Nenhum sinal nos calcina as órbitas Voluntários somos de frente com a imagem na grafia dos espelhos
A circunferência
Um teorema de pálpebras nos situa imunes à cicatriz dos limites que bebemos
Um sismo incontém nossos ombros fechados Limítrofes os nossos pés anfíbios invocam o rio
As serenas máquinas do rio nos inundando
O momento é timbre
livre
O timbre é rio
breve
As serenas máquinas nos inundando
A anatomia dos pontos nos transforma os dedos
O diâmetro do rio nos desencontra
(Poema extraído da Antologia da novíssima poesia portuguesa, de Ernesto de Melo e Castro.)
Escrito por Claudio Daniel às 22h28
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GALERIA: HIERONYMUS BOSCH (X)

Escrito por Claudio Daniel às 12h08
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RELENDO FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO (I)
TEMA 3
Cadáveres
sem língua língua de bronze
metal um cadáver de metal
construído em água
Os alimentos dos mortos
são água e o bronze
de bronze e com uma lápide de presença incerta
Assim como muros transparentes
para limitar estações
quatro estações transpostas de todas as vezes
que se anuncia um coro na sala de estalactites
Cadáveres iguais a ano bissexto
no turismo branco das águas e meses
Digo que os alimentos
são água e o bronze
De bronze e com uma lápide de presença incerta
(Poema extraído da Antologia da novíssima poesia portuguesa, de Ernesto de Melo e Castro.)
Escrito por Claudio Daniel às 12h07
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GALERIA: HIERONYMUS BOSCH (IX)

Escrito por Claudio Daniel às 17h44
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COYOTE NO ESTADÃO
A intervenção artística na insensível realidade
Coyote, de Londrina, volta à carga lançando duas edições
Francisco Quinteiro Pires
Depois de comemorar 5 anos de existência na primavera do ano passado, a Coyote, revista de literatura e arte, de Londrina (PR), volta à carga em dois números: o 16 (edição de verão) e o 17 (edição de outono). Ambas têm 52 páginas e custam R$ 10. Podem ser compradas em livrarias. Mais informações no www.iluminuras.com.br ou no revistacoyote@uol.com.br. Os quatro editores da publicação - Ademir Assunção, Marcos Losnak, Maurício Arruda Mendonça e Rodrigo Garcia Lopes - acreditam que a poesia, a literatura e a arte como um todo não perdem a faculdade de causar abalos sísmicos na realidade. O poder de intervir no mundo está ligado à linha editorial da Coyote. O negócio é expandir horizontes ou comprometer a falta deles. Essa intervenção no real pode ser notada nas duas primeiras páginas da Coyote 17 que trazem uma afirmação do escritor mexicano Enrique Vila-Matas, autor de Bartleby e Companhia, valiosa como uma carta de intenções. 'Todos desejamos resgatar por intermédio da memória cada fragmento de vida que subitamente nos volta, por mais indigno, por mais doloroso que seja. E a única maneira de fazê-lo é fixá-lo com a escrita. A literatura, por mais que nos apaixone negá-la, permite resgatar do esquecimento tudo isso sobre o que o olhar contemporâneo, cada dia mais imoral, pretende deslizar com a mais absoluta indiferença.' A passagem do tempo, e o modo como é notada, também aparece na abertura da Coyote 16 que reproduz o ponto de vista de Alan Lightman, romancista e físico norte-americano, autor de Os Sonhos de Einstein. 'Muitos não acreditam que o tempo mecânico exista. Usam relógios de pulso apenas como ornamento ou como cortesia para com aqueles que acreditam ser instrumentos de medição de tempo um bom presente. Em suas casas eles não têm relógios. No lugar deles, ouvem a batida dos seus corações.' Luta-se na Coyote contra a indiferença e o esfriamento do coração dos homens. Os destaques da Coyote 16 são um ensaio de Jerusa Pires Ferreira sobre o poeta canadense Robert Melançon, chamado Os Signo e A Vida, e a entrevista com o quadrinista paulista Marcatti, autor de Glaucomix, feita por Ademir Assunção. Autora de Fausto no Horizonte e tradutora, Jerusa nota como esse escritor de língua francesa é capaz, a partir dos aspectos locais, de se inserir tanto na tradição como na modernidade, criando verdadeiras paisagens no papel em branco. Há a tradução de alguns poemas de Melançon pela ensaísta. Na entrevista O Bizarro Método da Podridão, Francisco de Assis Marcatti Jr., referência dos quadrinhos underground e chamado de George Bataille das HQs no Brasil, revela seus gostos e seu método disciplinado de criar: ele se baseia em gráficos e esquemas matemáticos para escrever suas histórias diariamente pela manhã. Quem vê seus traços pode imaginar a reverência a Robert Crumb ou Charles Bukowski, mas suas influências são Gilbert Shelton, Hunt Emerson, Wolinski, Ionesco, Sartre, Henry Miller.
Uma série de poesias, traduzidas por Rodrigo Garcia Lopes, do chileno Roberto Bolaño marca a edição de outono da Coyote. Como em Auto-Retrato Aos Vinte Anos, em que os quatro primeiros versos revelam algo sobre o estilo literário de Bolaño: 'Eu fui embora, tomei meu caminho e nunca soube/ até onde poderia me levar; Fui cheio de medo,/ meu estômago revirou e a cabeça zumbia:/ acho que era o ar frio dos mortos.' É de Garcia Lopes também a entrevista com o poeta romeno Andrei Codrescu, hoje radicado nos EUA, depois de fugir do stalinismo, e onde bebeu na fonte da contracultura, que até hoje o estimula no caminho da subversão.
Escrito por Claudio Daniel às 17h42
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GALERIA: HIERONYMUS BOSCH (VIII)

Escrito por Claudio Daniel às 11h49
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RELENDO LUIZA NETO JORGE (VI)
MAGNÓLIA
A exaltação do mínimo, e o magnífico relâmpago do acontecimento mestre restituem a forma o meu esplendor.
Um diminuto berço me recolhe onde a palavra se elide na matéria - na metáfora - necessária, e leve, a cada um onde se ecoa e resvala.
A magnólia, o som que se desenvolve nela quando pronunciada, é um exaltado aroma perdido na tempestade,
um mínimo ente magnífico desfolhando relâmpagos sobre mim.
(Poema extraído da antologia 19 Recantos e outros poemas)
Escrito por Claudio Daniel às 11h48
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GALERIA: HIERONYMUS BOSCH (VII)

Escrito por Claudio Daniel às 11h47
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RELENDO LUIZA NETO JORGE (V)
FRACTURA
Despedaça expor esta fractura,
espiar por ela os meus amigos,
fechados vários peitos, várias artérias,
pela máquina morte removidos.
Escritas daninhas: pouca me sinto já
para expurgá-las! Em lava aluem,
riscam a lume páginas estremes,
e um braço na tormenta salienta-se das vagas,
frutífero implanta-se
no seio do nosso corpo escasso.
Membro em viço, irmão braço vem
por dentro semear-nos!
(Poema extraído da antologia 19 Recantos e outros poemas)
Escrito por Claudio Daniel às 11h46
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