Cantar a Pele de Lontra III


GALERIA: IRINA IONESCO



Escrito por Claudio Daniel às 11h29
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UMA ROSA É UMA ROSA

 

“Rilke feriu-se acidentalmente na mão com os espinhos de umas rosas que fora colher pessoalmente para oferece-las a uma jovem admiradora egípcia que o vinha visitar. O ferimento agravou a leucemia de que sofria há tempos. Internado pela última vez no sanatório de Val-Mont, ali morreu a 30 de novembro de 1926. Isso ao fim de uma dolorosa agonia que, recusando sedativos, suportou com extraordinária fortaleza de espírito. Foi sepultado, conforme queria, ao pé da igreja de Rarogne, no Valais. Seu túmulo ostenta o epitáfio que ele próprio escreveu para si e deixou consignado em testamento: ‘Rosa, ó pura contradição...’.”

 

(De A luta com o anjo — Uma introdução à poesia de Rilke, texto de José Paulo Paes, de sua antologia do poeta tcheco de língua alemã.)



Escrito por Claudio Daniel às 11h28
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GALERIA: IRINA IONESCO



Escrito por Claudio Daniel às 09h44
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NOTAS NOTÁVEIS

 

“Tomei conhecimento da figura e da obra do Brossa por ocasião da exposição de Hélio Oiticica em Barcelona, na Fundação Antoni Tàpies, em 92. Comecei a ver ali um poeta anárquico, que encarnava ao ponto máximo aquele irredentismo que é a grande marca da Catalunha. Todas as histórias sobre a vida dele mostravam um poeta errabundo que andava a pé pela cidade de lado a lado, percorrendo distâncias inacreditáveis, sem um níquel no bolso, um sujeito sem dinheiro, que comia pouco, um filão de pão recheado apenas com cebola ou tomate, e de quando em quando um amigo lhe pagava a sopa. As histórias de família também eram desse teor. Para não ter de trabalhar e levar a vida no ócio criador, ele fingia, para os tios, que o criaram, que era um idiota.”

 

(Depoimento de Wally Salomão sobre Joan Brossa, publicado na CULT em 1999.)



Escrito por Claudio Daniel às 09h43
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GALERIA: IRINA IONESCO



Escrito por Claudio Daniel às 10h44
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DIVERSÕES DIVERTIDAS

 

“Numa peça radiofônica, O que os alemães liam, enquanto seus clássicos escreviam, Walter Benjamin se divertiu em analisar, através de um diálogo imaginário entre literatos, editores e livreiros, a situação profissional do escritor no tempo de Goethe, cujo editor, não obstante a nomeada do seu editado, só conseguiu seiscentos assinantes para a primeira edição de suas obras completas. E o mesmo livreiro que forneceu esse dado estatístico assinala, a propósito de Schiller, Klopstock e outros luminares, que ‘ninguém quer ler esses autores’, já que a grande maioria dos leitores de então, não muito diversamente dos de hoje, só se interessava por ‘histórias de bandidos e fantasmas aos montes’, ou por ‘histórias lacrimejantes de domésticos’.”

 

(De O regresso dos deuses — Uma introdução à poesia de Hoelderlin, estudo introdutório de José Paulo Paes a sua antologia do poeta alemão.)  



Escrito por Claudio Daniel às 10h43
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GALERIA: ANA HATHERLY



Escrito por Claudio Daniel às 16h10
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POETAS DE PORTUGAL (IX)

 

O poema pode ser um travesti

e camuflar-se em cores disruptivas

para se defender de um possível predador

mas pode também intimidar

quer seja para paralisar uma presa

ou para atemorizar um agressor

 

O poema é um inseto frágil

que vibra na página os seus élitros verdes

mas a sua cabeça tem antenas brancas

para estar atento à integridade da página

 

O seu canto harmoniza as cesuras

para que fluam na água do silêncio

e os seus arabescos envolvem a figura

da nudez para que a sua flagrante evidência

se resolva num aroma de enigmática brancura

 

 

(Poema de António Ramos Rosa)



Escrito por Claudio Daniel às 16h09
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