a intocabilidade do rosto envolto por pêlos brancos e negros.
aparada. as patas fleumáticas em suas mãos. a distância celomática. a delicadeza a retirar. os ossos. o afastar dos afagos. o ócio. temia-lhe o peso mascavo.
a marquise.
temia-se em sua indocilidade carnívora de víbora. o difuso desejo. aninhá-lo no calor das entranhas. suas entranhas de óbito verdadeiro.
Organizadores: Glauco Mattoso e Antônio Vicente Pietroforte
Publicação: selo Dix, editora Annablume
Onde: Livraria da Vila, rua Fradique Coutinho, 915
Quando: 30 de agosto, às 15h
Participam da coletânea: José de Alencar • Machado de Assis • Cruz e Sousa • João do Rio • Augusto dos Anjos • Pedro Xisto • Wilma Azevedo • Glauco Mattoso • Delmo Montenegro • Claudio Daniel • Antonio Seraphim Pietroforte • Virna Teixeira • Glauco Mattoso • Contador Borges • Horácio Costa • Frederico Barbosa • Marcelo Mirisola • Marcelino Freire • Mário Bortolotto • Ademir Assunção, entre outros.
Caros, a edição de agosto do Suplemento Literário de Minas Gerais publicou uma resenha de meu livro Ovi-sungo, Treze poetas de Angola (Lumme Editor,2007), escrita pelo poeta Ricardo Corona. Na mesma edição, saiu também meu poema inédito Desvio, na última página. O SLMG é enviado gratuitamente pelo correio a seus assinantes. Quem quiser receber jornal em casa todos os meses só precisa escrever para o e-mail suplemento@cultura.mg.gov.br. Ah, sim, outra coisa: amanhã, quarta-feira, às 20h, haverá o lançamento do livro O que a esquerda deve propor, de Roberto Mangabeira Unger, na Casa das Rosas. Na ocasião, haverá um debate com o autor, Antônio Risério e Caetano Veloso. Quem puder, apareça!
exceto o corpo, piscina natural de dias quebrados, claustro e observação simultânea (clausura é apenas ar, gotas azuladas) — cardo repele borboleta — pensou no ramo de azevinho (delicado entre amarelo verde vermelho) e na biblioteca de conchas, o coro do mar. talvez nenhuma imagem. à espera do hoxton car service, chaminés variadas. nenhuma delas uma presença real; nenhuma delas, papoulas ao sol
de cima a baixo um bisturi de aço uma perna um braço e o vestígio de um traço incisão alcalina na corrente sanguínea e a escansão de uma rima na pele da cobra um olho de vidro bicos e garras o verso sem dobra reverso da obra que recusa a cesura e a abertura de palha como um talho ao sol escultura da morte no corpo sem corte troféu espúrio que o artista conserva em mercúrio ou formol por trás da vitrine ornada em nanquim uma parte obscena sem arte ou poema porém manequim lá dentro a vida espessa e exposta tão longe da vista no gabinete do taxidermista.
ESTUDO PARA UM CORPO
Uma pincelada não basta quando o grito se arrasta para marcar o encontro entre a superfície e o nada. nas camadas de tinta – memória da tela – o tempo se esculpe em violetas salinos. pudesse o abismo que uma grade sustenta, redoma de vidro ou sutil passarela, escoar em azuis do fundo gasoso onde uma lâmpada pende. o gozo enfático do corpo em deslinho sobre o eixo da cama não suporta o peso do esquadro anatômico e desce em desvão no vermelho uniforme que desvela o tríptico de uma boca cega.