Cantar a Pele de Lontra III


GALERIA: HIERONYMUS BOSCH (XVI)



Escrito por Claudio Daniel às 12h59
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POEMAS DA CAIXA PRETA (II)

 

SEM CAUTÉRIO

 

Aqui a ferida

respira enquanto arde

sua metamorfose

solitária

para saber abrir

flore no ar

à flor da pele

nova

 

Está aqui e ferve

como se um sol

ardesse prestes

a desatá-la

dor de não saber

incerto tempo

transferir

um eu jorrado

fora

 

Esta que se recobre

escudo contra

casca sem fruto

polpa em brasa

labora enquanto

segrega sua cola

secreta cicatriz por

coda

 

Eis aqui o intato

campo de batalha

que o esquecimento

por fim ressecado

cimento tatuado

à superfície remende

e não se relembre

a furia quando

corta

 

um sono profundo

 

 

 

O OURO DO RISO CONTRA A NOITE

 

a Néstor Perlongher

 

Se te corta o ouro do riso contra a noite o agonizante membro exibe a distração que daí envolta um espelho dos raios os dedos torceu com um frágil arco a paisagem engloba lábios brandidos ao redor atravessada não  mais nem sequer à invasão dos olhos depois da quente chuva primeiro refracta de branco estanque deixando dentro de seu tremular que pensa o impulso de espuma congelada senão sustida ou sem pousar-se no campo da memória aterrissa se te sobe  eletrizado instante ao levitar e sair o motor de sucessivos agoras um mar que as realidades ou a luz desperta com seu giro  transpasso a voar no cenário se reação nem tanto à velocidade da visão a língua no zênite de pernas às vezes onde segue até por via de multiplicar ao brilho de estrelas o ouro  do riso contra a noite.

 

(Do livro Poemas diversos, de Elson Fróes, publicado na coleção Caixa Preta, da Lumme Editor.)



Escrito por Claudio Daniel às 12h58
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GALERIA: HIERONYMUS BOSCH (XV)



Escrito por Claudio Daniel às 12h49
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ENQUANTO ISSO, NO MÉXICO...

 

Caros, a revista La cabeza del moro, editada na cidade de Zacatecas, no México, publicou meu ensaio Pensando a poesia brasileira em cinco atos, traduzido ao espanhol pelo simpático Jair Cortés; outra revista mexicana, Luna zeta, editada em Oaxaca, publicou alguns de meus poemas, em tradução de Reynaldo Jiménez; e duas outras publicações, a revista Crítica, editada pela Universidade de Puebla, e La colmena, publicaram outras traduções de meus poemas, feitas por Sérgio Rios. Todas essas revistas saíram nos últimos três meses. Pois é, parece que o meu ibope vai bem na terra de Montezuma... besos,

 

CD  



Escrito por Claudio Daniel às 12h48
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GALERIA: HIERONYMUS BOSCH (XIV)



Escrito por Claudio Daniel às 11h42
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POEMAS DA CAIXA PRETA (I)

 

mãos

 

topázio na água

mil olhos de faca e cacto

antes de tocá-lo

 

ser dedos de seda e prata

recolhendo a gema calma

 

 

pedra preciosa

 

amor choveu ouro

mariposa, mariposa

na copa dos olmos

 

agora no chão pirata

amor é que é de prata

 

 

casa do poeta

 

a trilha de folhas

na área, um pernilongo

vizinhas notícias

 

vieram morar ao lado

três formigas fictícias

 

 

(Do livro Pincel de Kyoto, de Wilson Bueno, publicado na coleção Caixa Preta, da Lumme Editor.)



Escrito por Claudio Daniel às 11h42
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GALERIA: HIERONYMUS BOSCH (XIII)



Escrito por Claudio Daniel às 11h41
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ENQUANTO ISSO, EM PORTUGAL...

 

"Agora já não há como negar à Internet o carácter de espaço privilegiado para a divulgação, promoção, prática, experimentação de vozes poéticas diversificadas. Ao nepotismo fechado e reinante na edição de livros, contrapõe-se a democracia dos espaços abertos de difusão; ao comércio encapotado de talento e propriedade, opõem-se as novas tendências como uma saudável, fecunda e revolucionária oficina de escrita. Senti vontade de dizer isto, a propósito da Antologia de Poesia Brasileira do Início do Terceiro Milénio, seleccionada e organizada por Claudio Daniel para a Exodus, por ter encontrado, entre os dezoito poetas que compõem o volume, vários nomes com publicação regular em weblogs ou páginas na Internet: Adriana Zapparoli, Ana Maria Ramiro, Douglas Diegues, Marília Kubota (inédita em livro), Nícollas Ranieri, Thiago Ponce de Moraes, Virna Teixeira. Também inéditos em livro são Andréa Catrópa e Daniel Sampaio de Azevedo, sobrando André Dick, Danilo Bueno, Delmo Montenegro, Diego Vinhas, Donny Correia, Eduardo Jorge, Leonardo Gandolfi, Micheliny Verunschk, Simone Homem de Mello. Um leque onde o mais novo é Nicollas Ranieri (n. 1991) e a mais crescida é Marília Kubota (n. 1964). Esta antologia é uma lufada de ar fresco. Não só por nos mostrar uma poesia brasileira em constante ebulição, como também diversificadíssima nas propostas (algo que, em Portugal, acaba frequentemente reduzido ao seguidismo patético de duas ou três correntes distintas). A Introdução e o Posfácio, da autoria de Claudio Daniel, são dois documentos excepcionais que nos permitem perceber os trilhos da poesia brasileira depois do modernismo, do advento da poesia concreta e das orientações alternativas que foram surgindo da segunda metade do séc. XX até aos dias de hoje. Excelente apêndice à antologia organizada por Jorge Henrique Bastos para a Antígona, neste pequeno livro encontramos 18 poetas novos cultivando linguagens que, sendo também fruto do seu tempo, não deixam de ser questionadoras, confrontadoras, até transgressoras dos actuais paradigmas. Nota-se, na generalidade, uma tendência minimalista, fortemente imagética, por vezes prosaica, frequentemente hermética, mas com uma impressionante vontade de escapar à boçalidade. Poemas como Instalação, de Diego Vinhas, a morbidez nos poemas-sequência de Donny Correia, o tom escatológico de Micheliny Verunschk ou o feminismo irónico de Marília Kubota podem ser excelentes indicadores de uma moderna poesia brasileira que sai aqui excelentemente representada."

 

Henrique Fialho 

 

http://antologiadoesquecimento-leituras.blogspot.com/2008_05_01_archive.html

 



Escrito por Claudio Daniel às 12h53
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GALERIA: HIERONYMUS BOSCH (XII)



Escrito por Claudio Daniel às 18h57
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RELENDO FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO (III)

 

GRAFIA 2

 

Está no rio
o embrião da noite  

 

O rio livre
com apenas o princípio evidente
de todas as formas

 

A água íntima dos lábios  



Escrito por Claudio Daniel às 18h56
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RECORDANDO O TORDESILHAS

 

 

 

Caros, esta mensagem é apenas para relembrar o evento TORDESILHAS, que eu e Virna Teixeira organizamos, como curadores, em outubro de 2007, que foi o primeiro festival íbero-americano de poesia realizado no Brasil, com critério e rigor na escolha de autores e mesas; foi uma imensa alegria contar com a presença e a participação de poetas de primeiro escalão da poesia internacional como a mexicana Coral Bracho, a argentina Tamara Kamenszain, o espanhol Joan Navarro, os uruguaios Víctor Sosa e Roberto Echavarren, o português Luís Serguilha, os brasileiros Horácio Costa e Wilson Bueno, entre muitos outros, que não poderia citar aqui. Estamos certos que em 2009 acontecerá uma segunda edição do evento, ampliada, e sempre pensando na qualidade e inventidade da poesia, que nada tem a ver com mídia e marketing, e sim com linguagem e criatividade estética. Essa é a nossa forma de resistência à banalização e à mediocridade da globalização, onde o que conta é a busca da "celebridade" e do sucesso fácil, e não o trabalho artístico consistente. Seguiremos, como Arnaut Daniel, "amassando o ar, caçando lebre com boi e nadando contra a maré, em luta eterna". Para quem desejar relembrar o evento, recomendo o álbum de fotos e as matérias publicadas na revista ZUNÁI, na página http://www.revistazunai.com.br/materias_especiais/todos.htm. ,

 

Besos,

 

Claudio Daniel 



Escrito por Claudio Daniel às 10h48
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GALERIA: HIERONYMUS BOSCH (XI)



Escrito por Claudio Daniel às 22h30
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RELENDO FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO (II)

 

TEMA 4

 

A circunferência

 

Nenhum sinal nos calcina as órbitas
Voluntários
somos de frente com a imagem
na grafia dos espelhos  

 

A circunferência

 

Um teorema de pálpebras nos situa
imunes
à cicatriz dos limites
que bebemos  

 

Um sismo incontém nossos ombros fechados
Limítrofes
os nossos pés anfíbios
invocam o rio

 

As serenas máquinas do rio nos inundando

 

O momento é timbre

livre

O timbre é rio

breve

As serenas máquinas nos inundando

 

A anatomia dos pontos nos transforma os dedos

O diâmetro do rio nos desencontra

 

(Poema extraído da Antologia da novíssima poesia portuguesa, de Ernesto de Melo e Castro.)



Escrito por Claudio Daniel às 22h28
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GALERIA: HIERONYMUS BOSCH (X)



Escrito por Claudio Daniel às 12h08
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RELENDO FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO (I)

 

TEMA 3

 

Cadáveres

sem língua língua de bronze

metal um cadáver de metal

construído em água

 

Os alimentos dos mortos

são água e o bronze

de bronze e com uma lápide de presença incerta

 

Assim como muros transparentes

para limitar estações

quatro estações transpostas de todas as vezes

que se anuncia um coro na sala de estalactites

 

Cadáveres iguais a ano bissexto

no turismo branco das águas e meses

 

Digo que os alimentos

são água e o bronze

 

De bronze e com uma lápide de presença incerta

 

(Poema extraído da Antologia da novíssima poesia portuguesa, de Ernesto de Melo e Castro.)



Escrito por Claudio Daniel às 12h07
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